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Clássicos que ajudaram a criar o heavy metal chegam em versões de alta fidelidade, produzidas a partir de cópias 1:1 das fitas master analógicas americanas
Poucos discos conseguem carregar tanto peso histórico e sonoro quanto “Black Sabbath” e “Paranoid”, os dois primeiros grandes capítulos da banda que praticamente ajudou a desenhar o mapa do heavy metal.
Agora, os álbuns ganharam novas edições Reel-to-Reel pela Rhino High Fidelity, voltadas especialmente para quem gosta de ouvir música com o máximo de fidelidade possível.
E aqui a conversa é menos sobre simplesmente “ter os discos” e mais sobre como eles soam.
As novas edições foram produzidas em tempo real a partir de cópias 1:1 das fitas master analógicas americanas. A proposta é preservar a dinâmica e os detalhes das gravações originais, utilizando fita de 1/4 de polegada, duas pistas e velocidade de 15 ips (polegadas por segundo).
O material utiliza fita RTM LPR90, segue o padrão de equalização IEC e é acondicionado em um carretel metálico de 10,5 polegadas.
Cada edição é limitada a apenas 500 cópias em todo o mundo e está disponível exclusivamente pelo site da Rhino.
Para quem conhece esses discos, a escolha do formato faz bastante sentido. O primeiro Black Sabbath tem uma sonoridade quase física: a guitarra de Tony Iommi parece ocupar espaço na sala, o baixo de Geezer Butler dá sustentação ao conjunto, enquanto Bill Ward conduz tudo com uma bateria pesada e extremamente viva. E, claro, há a voz de Ozzy Osbourne no centro desse universo sombrio.
Lançado em 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira 13 que parece ter sido escolhida pelo destino, o álbum de estreia apresentou ao mundo uma combinação que ainda soava estranha para os padrões da época.
A faixa-título, “Black Sabbath”, abre o disco com aquela atmosfera ameaçadora que se tornou uma das marcas da banda. Logo depois, “The Wizard” e “N.I.B.” ajudam a estabelecer a identidade de um grupo que estava fazendo algo muito diferente do rock convencional.
O álbum chegou ao 8º lugar no Reino Unido e ao 23º na Billboard 200, nos Estados Unidos, onde posteriormente recebeu certificação de platina.
Se o primeiro disco apresentou o som, “Paranoid”, lançado em setembro de 1970, mostrou que aquilo poderia alcançar uma escala muito maior.
“War Pigs”, “Paranoid” e “Iron Man” se tornaram alguns dos riffs mais reconhecíveis da história do rock. Mas o álbum não vive apenas de peso. “Planet Caravan”, por exemplo, mostra um Sabbath muito mais atmosférico, enquanto “Electric Funeral” e “Hand Of Doom” mergulham novamente no clima sombrio que acompanhava a banda.
O resultado foi enorme: “Paranoid” chegou ao topo das paradas britânicas, alcançou o 12º lugar nos Estados Unidos e ultrapassou a marca de quatro milhões de cópias vendidas em território americano.
Hoje, o álbum é considerado um dos trabalhos mais influentes da história do heavy metal.
A importância dessas novas edições também passa pela história da própria banda.
A formação original, Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward, surgiu em 1969 e permaneceu ativa até 1978, com diferentes reencontros ao longo das décadas seguintes.
Em 2013, o grupo lançou “13”, seu último álbum de estúdio com Ozzy Osbourne, e saiu em turnê enquanto Iommi enfrentava tratamento contra um câncer diagnosticado em 2012.
A despedida definitiva dos palcos aconteceu com a turnê “The End”, encerrada em Birmingham, em fevereiro de 2017, colocando um ponto final em uma trajetória de quase meio século.
Mais recentemente, Ozzy Osbourne e o Black Sabbath voltaram a ser celebrados no palco durante o histórico “Back To The Beginning”, realizado no Villa Park, em Birmingham. O evento reuniu grandes nomes do rock para homenagear a banda e sua influência sobre gerações de músicos.
A iniciativa da Rhino High Fidelity faz parte de uma série de relançamentos dedicados a grandes álbuns do catálogo da Warner Music, sempre combinando formatos de alta qualidade sonora com embalagens pensadas para colecionadores.
No caso de “Black Sabbath” e “Paranoid”, existe ainda um detalhe difícil de ignorar: são dois discos que ajudaram a mudar a maneira como o rock poderia soar.
Ouvir esses álbuns em uma edição audiófila em Reel-to-Reel é, de certa forma, voltar ao ponto de partida, quando quatro músicos de Birmingham colocaram guitarras, baixo, bateria e voz em uma sala e acabaram criando uma linguagem musical que continua ecoando mais de 50 anos depois.
Para quem gosta de Black Sabbath, rock e áudio de alta fidelidade, essas são daquelas reedições que vão muito além da estante. São feitas para colocar a fita para rodar e deixar o som falar.