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Por Luck Veloso
Duo carioca formado pelos irmãos Louder e Allex transforma sintetizadores, batidas eletrônicas e atmosferas densas em uma sonoridade que olha para os anos 1980 sem viver de nostalgia
Existe uma linha tênue entre revisitar uma sonoridade do passado e simplesmente tentar reproduzi-la. O Brothers of Shadows, duo carioca formado pelos irmãos Armando Louder e Allex, parece interessado justamente em caminhar do lado de cá dessa linha.
Entre sintetizadores, batidas eletrônicas, baixo e referências ao synth-pop, darkwave e pós-punk, o projeto constrói uma música de atmosfera escura, minimalista e bastante cinematográfica. A inspiração nos anos 1980 está ali, mas não aparece como uma fantasia retrô. É matéria-prima para criar algo próprio.
E vale apertar o play.
Essa identidade aparece com força no EP 1943: Time is a Spiral, lançado em agosto de 2025. O trabalho reúne sete faixas e passa por diferentes momentos da sonoridade do duo, com destaque para músicas como “Dance, My Reflection Dies”, “No Name”, “Reactor” e “Through the Iron Walls”.
A faixa-título, “1943: Time is a Spiral”, ajuda a apresentar a proposta: sintetizadores e texturas eletrônicas criam uma paisagem sonora densa, enquanto a construção das músicas mantém o diálogo com o pós-punk e a música eletrônica.
Também chama atenção a releitura de “Not Great Men”, do Gang of Four, que coloca o Brothers of Shadows em contato direto com uma das bandas fundamentais para entender a mistura entre pós-punk, crítica e experimentação que marcou o final dos anos 1970 e o início dos 1980.
Mas a proposta do duo não é transformar o passado em peça de museu. A ideia é pegar esses elementos e reconstruí-los no presente.
Depois do EP, o Brothers of Shadows continuou avançando na produção. Em fevereiro de 2026, o duo lançou “Underground”, uma faixa que mergulha ainda mais no lado obscuro do projeto.
A música trabalha com imagens de códigos, silêncio, promessas e coisas que permanecem escondidas sob a superfície. O resultado combina a atmosfera eletrônica do duo com uma construção que privilegia clima e textura.
“Underground” também conta com baixo de Sergio Zanne, enquanto Joan Melo participa da produção e mixagem.
No Brothers of Shadows, a proposta não termina quando a música acaba. A identidade visual também faz parte da construção do projeto e é conduzida por Armando Louder, que responde pelos vocais, composição e direção gráfica.
Allex assume a bateria e a programação, enquanto a produção e a mixagem são desenvolvidas em parceria com Joan Melo, em um processo realizado em home studio.
É justamente essa combinação que ajuda o duo a escapar de uma armadilha comum para artistas que trabalham com referências tão marcantes: ficar preso à estética que os influenciou.
Aqui, synth-pop, darkwave, pós-punk e eletrônica funcionam mais como pontos de partida do que como destino.
Se você curte Depeche Mode, darkwave, pós-punk, synth-pop ou eletrônica de clima mais sombrio, o Brothers of Shadows merece sua atenção.
Entre os lançamentos, vale começar por “Dance, My Reflection Dies”, passar por “1943: Time is a Spiral” e chegar a “Underground”. São boas portas de entrada para entender como os irmãos Louder e Allex estão construindo esse universo sonoro a partir do Rio de Janeiro.
O projeto também tem “GLASS”, lançado em 2025, ampliando o catálogo de uma banda que ainda está construindo sua identidade e justamente por isso pode render boas descobertas daqui para frente.
Ouça, tire suas próprias conclusões e acompanhe o Brothers of Shadows.
Brothers of Shadows
Rio de Janeiro – Brasil
Instagram: @brothersofshadows
Bandcamp: Brothers of Shadows
Spotify: Brothers of Shadows